
Essa postagem (ou post) tem o intuito de tratar de um tema veiculado na mídia sobre “erro” de português de uma professora da rede pública de ensino. Vamos primeiramente ao vídeo e depois aos comentários.
A competência da professora, nesse caso, resumiu-se numa simples palavra da língua portuguesa escrita num bilhete de forma equivocada. No entanto, ninguém mostrou o bilhete como um todo para ser analisado. O verbo “trazer” possui uma peculiaridade na língua portuguesa, pois é irregular da 2ª conjugação e regular no pretérito imperfeito do indicativo e nas formas nominais. Veja que no presente do indicativo temos “trago” e “trazes”, no pretérito imperfeito “trazia”, “trazias” e no pretérito perfeito “trouxe” e “trouxeste” para a 1ª e 2ª pessoas respectivamente. Na linguagem informal falada o leque de possibilidades do uso desse verbo se amplia. Quem nunca ouviu alguém dizer “eu trusse”, que pode ser explicado pelo fenômeno da assimilação. A maioria das pessoas, quando se fala em linguagem, pensa apenas em regras. Esse problema, que remonta aos estudos clássicos, ainda está arraigado no século XXI como símbolo de purismo e da arte da boa linguagem. Ora, como diriam os mais sábios puristas, “palavras bem ditas tornam-se benditas, e, mal ditas tornam-se malditas. É o caso da professora que utilizou uma forma não padronizada da língua portuguesa – “trousse” – e foi amaldiçoada. Veja que a mãe do estudante fala na reportagem não saber mais se os “erros” gramaticais do filho é culpa dele ou da professora que, coitada, escreveu apenas uma palavra que foge a norma padrão da língua. Palavra essa, realmente, que possui um grau de dificuldade para muitas pessoas devido a relação grafema-fonema. Em momento algum tiro a responsabilidade de uma educadora em possibilitar ao aluno o conhecimento de um leque de opções das variedades do português. Porém, não sabe a mãe indignada que parte da educação do filho está ligada ao próprio convívio familiar. Se existe “erro de português” também existe erro médico, erro profissional, erro dos pais, erro dos filhos, erro dos políticos e assim a vida humana vai prosseguindo com tantos erros. E diga-se de passagem erros cometidos na história da humanidade que ainda são premiados com símbolo NOBEL DA PAZ. Infelizmente ainda temos muito a aprender, compreender e apreender. Quando se trata de educação no Brasil todo mundo mete a sua colher como se fosse a “casa da mãe Joana”. Não se trata de dizer que não seja papel da escola possibilitar o conhecimento e domínio da norma culta para o aluno. A noção de “erro” na língua que parece tão fácil de ser julgada por muitos necessita de uma observação científica bem mais acurada para além do senso comum.





