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Há alguns meses vinha pensando em postar algo sobre a experiência que tive ao ministrar a disciplina Fonética e Fonologia do Português para uma turma do PARFOR da Universidade Federal do Pará, Campus Universitário de Bragança. Antes de tudo vamos contextualizar, resumidamente, o que é o Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica – PARFOR. Surge com o objetivo de possibilitar a formação superior adequada aos professores em exercício na rede pública de ensino, garantindo uma educação de qualidade e o que se encontra estabelecido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, de dezembro de 1996.  Nesse sentido, várias instituições de ensino superior, em parceria com o MEC e secretarias de educação dos estados e municípios, ofertam cursos de nível superior para a formação de professores. O Campus Universitário de Bragança (UFPA) se engloba nessa perspectiva garantindo, na Amazônia paraense, a formação adequada de professores da rede pública para o alcance de uma educação mais qualificada em nossa região. Com essa introdução passo a expor a minha experiência no desenvolvimento da disciplina Fonética e Fonologia do Português. Em janeiro de 2010 tive a oportunidade de desenvolver um trabalho com a turma, trazendo como metodologia da disciplina aulas expositivas e discussões sobre o assunto em sala de aula, produções de resenhas, exercícios sobre fonética e fonologia, uso de filmes, pesquisas na biblioteca, seminário temático sobre aspectos da língua portuguesa voltados para a discussão sobre o ensino-aprendizagem e o preconceito lingüístico. Usamos como texto básico da disciplina o livro da professora Taïs Cristófaro-Silva que trata sobre fonética e fonologia do português. FilmeNas primeiras aulas da disciplina usei um filme chamado “O Enigma de Kaspar Houser” para trabalhar a noção de língua e linguagem, a importância do convívio social para a aquisição da língua e o desenvolvimento da produção dos sons. Num segundo momento, solicitei que os alunos realizassem uma pesquisa na biblioteca do Campus, em dicionários ou livros de Fonética e Fonologia, fazendo um levantamento de termos relacionados à área da disciplina. O objetivo, nesse momento, era fazer com que os alunos se familiarizassem previamente com alguns termos usados na Fonética e Fonologia. Recebemos, então, um fichamento com vários termos e definições da área de conhecimento da Fonética e Fonologia. Destaca-se que a Biblioteca é um local muito importante para o desenvolvimento intelectual do aluno. É um espaço onde o aluno universitário deve saber buscar suas fontes de pesquisa para leitura e construção do seu conhecimento.

ALUNOS NA BIBLIOTECA

Biblioteca

Os exercícios sobre fonética e fonologia foi uma prática bastante usada em sala de aula para facilitar a copreensão e fixação do quadro de consituição dos fonemas em língua portuguesa e a função desses fonemas no estabelecimento da distinção e produção de sentidos na língua, bem como suas variantes no português. Procuramos, a partir desses conhecimentos, estabelecer uma relação com sua importância para o processo de ensino-aprendizagem da língua portuguesa.

EXERCÍCIOS EM SALA DE AULA

Exercícios

Fizemos uso do Laboratório de Informática do Campus para o desenvolvimento de uma aula prática sobre órgãos envolvidos na produção dos sons, como ocorre a articulação desses sons. Para isso, usamos os programas do site http://www.uiowa.edu/~acadtech/phonetics/ . No entanto, o programa oferece o trabalho com apenas três línguas: inglês americano, alemão e espanhol. Mesmo trabalhando com a fonética da língua portuguesa, o site propiciou uma boa aula de observação, até mesmo porque estávamos trabalhando com o alfabeto fonético internacional. Consideramos que esse momento foi bastante empolgante para os alunos e para a construção do conhecimento acerca das propriedade fisiológicas envolvidas na produção dos sons.

NO LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA (AULA PRÁTICA)

DSC01208Trabalhamos também a temática da aquisição da linguagem escrita e o processo de alfabetização, aproveitando o conhecimento que estávamos construindo sobre os processos fonético-fonológicos da língua portuguesa. Nesse momento, fizemos a relação entre a oralidade e escrita, mostrando quais os graus de dificuldades para o alfabetizando na aquisição da ortografia. Segundo Rego & Buarque (1999), Cagliari & Cagliari-Massini (1999) e Cagliari (1999b), o professor pode atuar como um mediador eficiente na aprendizagem das regras ortográficas. Tanto na escrita alfabética como na ortográfica, o ponto de partida para a representação das palavras é a observação dos sons da fala. Mesmo assim, é freqüente a criança e até mesmo o adulto se deparar com dúvidas a respeito de como escrever uma palavra. A maneira mais adequada de sanar esse tipo de dúvida seria o hábito de consultar o dicionário. Dessa forma, trabalhar nesse espaço em que a escrita não é uma coisa e nem outra, é tarefa básica do professor (CAGLIARI & CAGLIARI-MASSINI, 1999 e CAGLIARI, 1990). Usamos um vídeo, bastante interessante, em que se tratava do assunto com exemplos concretos, o que possibilitou a turma a entender a importância desse conhecimento e a diferenciação entre grafema-fonema.

VÍDEO SOBRE ALFABETIZAÇÃO E O ENSINO DE ORTOGRAFIA

VÍDEO

Como ponto de culminância da disciplina, desenvolvemos um seminário com os alunos para que eles pudessem apresentar alguns temas sobre variados processos lingüísticos (vogais, rotacização, assimilação, o padrão e não-padrão na língua portuguesa, a relação fonema-grafema no processo de ensino de língua portuguesa, etc.).  Sete equipes apresentaram trabalhos avaliados por mim (professor da disciplina) e por outro professor convidado (Prof. Carlos Nedson) que contribuiu com algumas observações acerca dos temas trabalhados. Ministrar a disciplina para a turma do PARFOR foi bastante gratificante, pois me propiciou uma troca de experiência com professores oriundos de diversas localidades e que trouxeram suas expectativas e conhecimento para contribuir com o desenvolvimento das aulas. Agradeço a coordenação do Curso de Letras de Bragança, a coordenação do PARFOR em Bragança que acreditaram nesse projeto, contribuindo também para o desenvolvimento da educação em nossa região.

SEMINÁRIO

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Prof. M.Sc. Elias Maurício

REFERÊNCIAS

CAGLIARI, L.C. A ortografia na escola e na vida. In. CAGLIARI, L.C., MASSINI-CAGLIARI, G. Diante das letras: a escrita na alfabetização. Campinas, SP, Mercado das Letras, 1999a.

____. A caracterização gráfica na história do alfabeto. In. CAGLIARI, L.C., MASSINI-CAGLIARI, G. Diante das letras: a escrita na alfabetização. Campinas, SP, Mercado das Letras, 1999b.

____. A ortografia na escola e na vida. in ALVES, Maria Leila (coord). Isto se aprende com o ciclo básico. São Paulo: Secretaria de Estado da Educação, 1990. CAGLIARI, L.C., MASSINI-CAGLIARI, G. Diante das letras: a escrita na alfabetização. Campinas, SP, Mercado das Letras, 1999.

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