.

Archive for the ‘Ensino’ Category

educaçãoFoi publicada no Diário Oficial da União do dia 25/05/2010 uma lei que altera a Lei de Execução Penal e obriga a instalação salas de aula nos presídios “destinadas a cursos do ensino básico e profissionalizante”. A legislação, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entra em vigor a partir da sua publicação.

Em 2009, a Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (Dhesca Brasil) publicou um relatório sobre o tema que apontava que menos de 20% da população carcerária tinham acesso a algum tipo de atividade escolar. O estudo alerta ainda que 70% dos detentos não possuem ensino fundamental completo e 8% são analfabetos.

Segundo a pesquisa, a principal dificuldade para oferta do ensino em prisões está no fato de que o acesso a esse serviço é visto como “privilégio” e não como direito.

No início deste ano, o CNE (Conselho Nacional de Educação) publicou as Diretrizes Nacionais para a Oferta de Educação nos Estabelecimentos Penais, que orienta e torna obrigatório o atendimento escolar a essa população. Sobre a infraestrutura, o documento do colegiado destaca que, com raras exceções, são espaços geralmente “improvisados e precários, sem qualquer organização especial”.

Na avaliação do conselheiro Adeum Sauer, relator desse parecer, a aprovação da lei é “muito positiva” porque reforça as diretrizes aprovadas pelo CNE. “A Constituição estabelece o acesso à educação como um direito público subjetivo de todo cidadão, ela não diz se ele está na prisão ou em liberdade”, aponta Sauer.

O conselheiro ressalta que a oferta desse serviço é de responsabilidade dos estados, já que são eles os responsáveis por administrar as unidades de detenção. “Uma lei como essa ajuda porque sempre tem mais força do que um parecer do conselho”, acredita.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2010/05/25/lei-obriga-presidios-a-instalarem-salas-de-aula-para-atendimento-educacional-dos-detentos.jhtm

Onomatopéias: a imitação do som em histórias em quadrinhos – HQ

Posted by linguaeliberdade On dezembro - 25 - 2009

onomatopeiasO termo onomatopéia origina-se do grego onomatopoiía (= ação de inventar nomes). É a criação de uma palavra a partir da imitação ou reprodução aproximada de um som natural a ela associado. No nosso cotidiano estamos sempre rodeados dessas representações simbólicas, que fazem parte do nosso universo cultural. O tic-tac do relógio, o triiimmm do telefone, o ding-dong da campainha dentre outras formas utilizadas em nossa língua para expressar os mais diversos sentidos.

As histórias em quadrinhos – HQ são gêneros, que apresentam bons exemplos de linguagens onomatopaicas. Ao abrir as páginas de uma HQ veremos quão farto é a utilização desse recurso pelos mais diversos personagens (Turma da Mônica, Chico Bento, Bolinhas, Batman, Homem Aranha, dentre outros). Dessa forma, o professor de língua portuguesa ou estrangeira pode ter em suas mãos um material riquíssimo para desenvolver as habilidades necessárias dos alunos sobre a compreensão, interpretação, produção textual e análise lingüística.

A função básica das onomatopéias, em uma HQ, é a de sonorizar a história imitando, por exemplo, o barulho de um tiro (bang!), de um relógio (tique-taque), de um soluço (ic!) dentre outros. É nesse sentido que proponho essa reflexão sobre as onomatopéias, a partir do gênero HQ. Trata-se de considerar que, no processo de ensino-aprendizagem de língua materna, a reflexão sobre o assunto só terá sentido quando contextualizada. Não é objetivo do ensino de línguas apenas mostrar ao aluno que as onomatopéias fazem parte da formação de novas palavras ou que tentam imitar os diversos sons da modalidade oral da língua. É necessário que o aluno perceba a função expressiva que esse recurso possui no texto escrito e os gêneros em que as onomatopéias circulam.

Elas, mesmo sendo palavras que procuram imitar os sons, estão arraigadas na cultura de uma comunidade. Dessa forma, são frutos da construção coletiva e, portanto, escolha arbitrária (no sentido saussuriano) de qualquer comunidade lingüística. Isso se prova, à medida que, como diz o próprio Saussure no Curso de Lingüística Geral, as onomatopéias “uma vez introduzidas na língua,  engrenam-se mais ou menos na evolução fonética, morfológica, etc., que sofrem as outras palavras”. Vejamos alguns exemplos:

ONOMATOPÉIAS

Português

Espanhol

Inglês

Imitação

co-co-ri-cóóó kikiriki cockledoodledoo Cacarejar
he he he Je je je he he he Risada
quá-quá mechmech quack Grasnar de pato
tun tun toc-toc knock knock Bater na porta
au-au guau bow wow Latido de um cão

As nossas HQ estão recheadas de onomatopéias que, além imitar uma diversidade de sons tentam enfatizá-los através das ações dos personagens. Na língua inglesa, por exemplo, várias onomatopéias surgiram a partir  de verbos que enfatizam a ação de personagens: o sniff-sniff (to sniff), para cheirar; splash!! (to splash), para o salpicar de água; crash! (to crash), para espatifar, além de muitas outras ocorrências. Na língua portuguesa, vários verbos possuem origem a partir de uma onomatopéia como o cacarejar provindo do co-co-ri-cóóó e tiquetaquear provindo do tique-taque (imitação do som de um relógio).

onomatopeias_hq2

Reafirmo, portanto, que as HQ podem ser importantes gêneros utilizados como recursos para a análise das onomatopéias. Além de trazer o assunto de forma prazerosa, pois acredito que o uso de histórias em quadrinhos desperte o interesse dos alunos, ainda ajuda no aprimoramento da leitura e da produção textual em gêneros que assim o exigir.  É também um importante recurso para inserir o aluno na pesquisa sobre a linguagem, demonstrando que a mesma é passível de investigação científica.

Vejam um episódio do desenho animado “Poderoso Thor” da década de 70, momento em que as onomatopéias eram bastante utilizadas em face a tecnologia da época.

Prof. Elias Maurício

Referências

BRANDÃO, Helena H. Nagamine. Introdução à Análise do Discurso. 2ª ed. Campinas: Unicamp, 2004.

CARVALHO, Castelar de. Para compreender Saussure. 3ª ed. Rio de Janeiro: RIO, 1982.


http://www.sobrecarga.com.br/node/view/3480

http://recantodasletras.uol.com.br/gramatica/1186787