.

Archive for the ‘Geral’ Category

E as abelhas dos lingüístas….

Posted by linguaeliberdade On setembro - 2 - 2010

abelhasEsses dias tive a grata satisfação de conhecer um texto novo na minha ceara de leitura. Esse texto é de Clifford Geertz de título “transição para a humanidade”. O texto aborda, de forma geral, sobre a complexa maneira de se pensar no homem enquanto ser culturalmente construído e, ao mesmo tempo, biológico. Nessa reflexão o autor, em dois pontos aparentemente polêmicos, expõe em um trecho algumas informações sobre o trabalho do lingüísta ao se reportar ao tema “linguagem humana versus linguagem animal”. Vejamos o trecho:

 

“O crescente interesse pela comunicação como um processo geral, que caracterizou durante as duas últimas décadas disciplinas que vão desde a engenharia à etnologia, reduziu a linguagem, por um lado, a um só mecanismo — com grande flexibilidade e eficiência reconhecidas — para a transmissão de significados entre muitos interlocutores e, por outro lado, ofereceu um contexto teórico em cujos termos se pode conceber uma série gradual de passos conducentes à linguagem verdadeira. Esta questão não pode ser aqui analisada; mas, como exemplo, um lingüista comparou oito sistemas diferentes de comunicação, que compreendiam desde a dança das abelhas, o cortejo dos peixes e o canto dos pássaros até aos gritos dos gibões, a música instrumental e a linguagem humana. Em vez de concentrar toda a sua análise à volta da simples e já bastante penosa diferenciação de sinal versus símbolo, distingue treze aspectos fundamentais da linguagem, e tenta, baseando-se nestes, analisar com maior precisão a diferença existente entre a comunicação humana e sub-humana e construir uma linha possível de desenvolvimento, gradual na era glacial, da linguagem verdadeira a partir da protolinguagem. Também este tipo de investigação se encontra no começo; mas, segundo parece, aproxima-se o fim da etapa em que a única coisa de útil que se podia dizer sobre a origem da linguagem, era que todos os humanos a possuíam por igual e que, do mesmo modo, todos os não-humanos a não possuíam.”

Bom, como pode-se perceber o autor parece não conhecer afinco sobre a área. Aliás, nem poderia, pois a sua formação não permite. Essa discussão, além de merecer mais cuidado, necessita ser encarada por profissionais preparados e que conheçam onde pisam. Aliás, a discussão sobre a “única coisa útil que se podia dizer”, afirmamos, não é uma uma simples comparação entre sistemas de comunicação humana e não-humana como quer dizer o autor. Na realidade os estudos lingüísticos não pode ser encarado como a ”casa da mãe Joana” onde qualquer pessoa “meta o bedelho”. Não compartilhocom o ditado “cada macaco no seu galho”. Acredito que as vastas áreas de estudos podem, de forma interdisciplinar, contribuir para o conhecimento do próprio ser humano.

Prof. M.Sc. Elias Maurício

Para governo de PE, morte de aluno é ‘violência urbana’

Posted by linguaeliberdade On setembro - 2 - 2010

Recife – Um dia após o assassinato do estudante Ricardo Daniel Cabral, 17 anos, no pátio externo da escola Bernardo Vieira de Melo, em Jaboatão dos Guararapes (PE), a Secretaria Estadual de Educação afirmou hoje que o crime “não se caracteriza como violência escolar” e responsabilizou a “violência urbana” pelo ocorrido. As aulas foram suspensas até segunda-feira. O clima entre alunos, professores e funcionários é de apreensão.

Apesar das investigações ainda não terem sido concluídas, a Polícia Civil de Pernambuco acredita que o assassinato ocorreu em função de um “acerto de contas” com traficantes locais. O estudante seria usuários de drogas e, segundo a família, tinha dívidas relativas ao consumo de entorpecentes. O crime aconteceu por volta das 19h30, ontem, quando o adolescente chegava à escola para as aulas. Testemunhas disseram que o crime teria sido praticado por três ou quatro homens.

A delegada responsável pelas investigações, Patrícia Domingues, confirmou que, em depoimento, alunos, professores e funcionários reclamaram da insegurança no local. “Há relatos de roubos e ameaças no entorno e até dentro na área escolar”, disse. Segundo comerciantes locais, os assaltos, muitos dos quais praticados por usuários de drogas que frequentam os pontos de venda da região, são constantes.

A unidade de ensino, que tem 1.612 alunos matriculados, fica bem ao lado da 2º Delegacia de Polícia de Jaboatão, cujo horário de funcionamento vai até as 18h. Após o crime, a Polícia Militar informou que iria reforçar a segurança na área, com o apoio de policiais do 6º batalhão da PM e da Patrulha Escolar. Ainda segundo a Secretaria de Educação, serão organizadas palestras educativas para conscientizar os alunos sobre os perigos do consumo de drogas. Até o final desta tarde, parentes aguardavam a liberação do corpo de Ricardo Daniel aguardava pelo Instituto de Medicina Legal de Pernambuco.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2010/07/23/para-governo-de-pe-morte-de-aluno-e-violencia-urbana.jhtm

Palavra do dia: Vuvuzela

Posted by linguaeliberdade On junho - 21 - 2010

Vuvuzela s.f.: instrumento plástico de sopro, bastante barulhento e popular entre torcedores de futebol na África do Sul. Variante fonética: vuvunzela.

vuvuzela

Informações enciclopédicas: A vuvuzela, aquela corneta usada nos estádios da Copa do Mundo que irritam os jogadores, a FIFA e até os telespectadores, ganhou destaque mundial na África do Sul. Mas é a China a principal responsável por esse instrumento barulhento – é de lá que vêm cerca de 90% de todas as vuvuzelas que circulam pelo país da Copa. (http://www.meionorte.com).

Aspectos lingüísticos: Pode-se perceber que a repetição do fonema [v] e a seqüência com outro som vozeado [z] na palavra vuvuzela, parece buscar reproduzir  o som desse instrumento bastante usado nessa Copa do Mundo, na África do Sul.

Prof. M.Sc. Elias Maurício

Há alguns meses vinha pensando em postar algo sobre a experiência que tive ao ministrar a disciplina Fonética e Fonologia do Português para uma turma do PARFOR da Universidade Federal do Pará, Campus Universitário de Bragança. Antes de tudo vamos contextualizar, resumidamente, o que é o Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica – PARFOR. Surge com o objetivo de possibilitar a formação superior adequada aos professores em exercício na rede pública de ensino, garantindo uma educação de qualidade e o que se encontra estabelecido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, de dezembro de 1996.  Nesse sentido, várias instituições de ensino superior, em parceria com o MEC e secretarias de educação dos estados e municípios, ofertam cursos de nível superior para a formação de professores. O Campus Universitário de Bragança (UFPA) se engloba nessa perspectiva garantindo, na Amazônia paraense, a formação adequada de professores da rede pública para o alcance de uma educação mais qualificada em nossa região. Com essa introdução passo a expor a minha experiência no desenvolvimento da disciplina Fonética e Fonologia do Português. Em janeiro de 2010 tive a oportunidade de desenvolver um trabalho com a turma, trazendo como metodologia da disciplina aulas expositivas e discussões sobre o assunto em sala de aula, produções de resenhas, exercícios sobre fonética e fonologia, uso de filmes, pesquisas na biblioteca, seminário temático sobre aspectos da língua portuguesa voltados para a discussão sobre o ensino-aprendizagem e o preconceito lingüístico. Usamos como texto básico da disciplina o livro da professora Taïs Cristófaro-Silva que trata sobre fonética e fonologia do português. FilmeNas primeiras aulas da disciplina usei um filme chamado “O Enigma de Kaspar Houser” para trabalhar a noção de língua e linguagem, a importância do convívio social para a aquisição da língua e o desenvolvimento da produção dos sons. Num segundo momento, solicitei que os alunos realizassem uma pesquisa na biblioteca do Campus, em dicionários ou livros de Fonética e Fonologia, fazendo um levantamento de termos relacionados à área da disciplina. O objetivo, nesse momento, era fazer com que os alunos se familiarizassem previamente com alguns termos usados na Fonética e Fonologia. Recebemos, então, um fichamento com vários termos e definições da área de conhecimento da Fonética e Fonologia. Destaca-se que a Biblioteca é um local muito importante para o desenvolvimento intelectual do aluno. É um espaço onde o aluno universitário deve saber buscar suas fontes de pesquisa para leitura e construção do seu conhecimento.

ALUNOS NA BIBLIOTECA

Biblioteca

Os exercícios sobre fonética e fonologia foi uma prática bastante usada em sala de aula para facilitar a copreensão e fixação do quadro de consituição dos fonemas em língua portuguesa e a função desses fonemas no estabelecimento da distinção e produção de sentidos na língua, bem como suas variantes no português. Procuramos, a partir desses conhecimentos, estabelecer uma relação com sua importância para o processo de ensino-aprendizagem da língua portuguesa.

EXERCÍCIOS EM SALA DE AULA

Exercícios

Fizemos uso do Laboratório de Informática do Campus para o desenvolvimento de uma aula prática sobre órgãos envolvidos na produção dos sons, como ocorre a articulação desses sons. Para isso, usamos os programas do site http://www.uiowa.edu/~acadtech/phonetics/ . No entanto, o programa oferece o trabalho com apenas três línguas: inglês americano, alemão e espanhol. Mesmo trabalhando com a fonética da língua portuguesa, o site propiciou uma boa aula de observação, até mesmo porque estávamos trabalhando com o alfabeto fonético internacional. Consideramos que esse momento foi bastante empolgante para os alunos e para a construção do conhecimento acerca das propriedade fisiológicas envolvidas na produção dos sons.

NO LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA (AULA PRÁTICA)

DSC01208Trabalhamos também a temática da aquisição da linguagem escrita e o processo de alfabetização, aproveitando o conhecimento que estávamos construindo sobre os processos fonético-fonológicos da língua portuguesa. Nesse momento, fizemos a relação entre a oralidade e escrita, mostrando quais os graus de dificuldades para o alfabetizando na aquisição da ortografia. Segundo Rego & Buarque (1999), Cagliari & Cagliari-Massini (1999) e Cagliari (1999b), o professor pode atuar como um mediador eficiente na aprendizagem das regras ortográficas. Tanto na escrita alfabética como na ortográfica, o ponto de partida para a representação das palavras é a observação dos sons da fala. Mesmo assim, é freqüente a criança e até mesmo o adulto se deparar com dúvidas a respeito de como escrever uma palavra. A maneira mais adequada de sanar esse tipo de dúvida seria o hábito de consultar o dicionário. Dessa forma, trabalhar nesse espaço em que a escrita não é uma coisa e nem outra, é tarefa básica do professor (CAGLIARI & CAGLIARI-MASSINI, 1999 e CAGLIARI, 1990). Usamos um vídeo, bastante interessante, em que se tratava do assunto com exemplos concretos, o que possibilitou a turma a entender a importância desse conhecimento e a diferenciação entre grafema-fonema.

VÍDEO SOBRE ALFABETIZAÇÃO E O ENSINO DE ORTOGRAFIA

VÍDEO

Como ponto de culminância da disciplina, desenvolvemos um seminário com os alunos para que eles pudessem apresentar alguns temas sobre variados processos lingüísticos (vogais, rotacização, assimilação, o padrão e não-padrão na língua portuguesa, a relação fonema-grafema no processo de ensino de língua portuguesa, etc.).  Sete equipes apresentaram trabalhos avaliados por mim (professor da disciplina) e por outro professor convidado (Prof. Carlos Nedson) que contribuiu com algumas observações acerca dos temas trabalhados. Ministrar a disciplina para a turma do PARFOR foi bastante gratificante, pois me propiciou uma troca de experiência com professores oriundos de diversas localidades e que trouxeram suas expectativas e conhecimento para contribuir com o desenvolvimento das aulas. Agradeço a coordenação do Curso de Letras de Bragança, a coordenação do PARFOR em Bragança que acreditaram nesse projeto, contribuindo também para o desenvolvimento da educação em nossa região.

SEMINÁRIO

DSC01233

DSC01246

DSC01234

DSC01238

DSC01239

DSC01241

DSC01247

Prof. M.Sc. Elias Maurício

REFERÊNCIAS

CAGLIARI, L.C. A ortografia na escola e na vida. In. CAGLIARI, L.C., MASSINI-CAGLIARI, G. Diante das letras: a escrita na alfabetização. Campinas, SP, Mercado das Letras, 1999a.

____. A caracterização gráfica na história do alfabeto. In. CAGLIARI, L.C., MASSINI-CAGLIARI, G. Diante das letras: a escrita na alfabetização. Campinas, SP, Mercado das Letras, 1999b.

____. A ortografia na escola e na vida. in ALVES, Maria Leila (coord). Isto se aprende com o ciclo básico. São Paulo: Secretaria de Estado da Educação, 1990. CAGLIARI, L.C., MASSINI-CAGLIARI, G. Diante das letras: a escrita na alfabetização. Campinas, SP, Mercado das Letras, 1999.

Língua e educação escolar

Posted by linguaeliberdade On abril - 3 - 2010

indioO Karitiana é a única língua sobrevivente da família Arikém, que por sua vez é uma das dez representantes do tronco lingüístico Tupi. Essa família em si é especial no que diz respeito à história das línguas Tupi, por ter sido a única família em que se identificou uma mudança completa do padrão vocálico a partir da língua mãe. No entanto, o interesse teórico do Karitiana não se limita à diacronia. Do ponto de vista sincrônico, fenômenos como caso ergativo, ordem variável de constituintes, interação previsível entre tom e acento, espalhamento de nasalidade e pré e pós oralização de consoantes nasais são alguns dos assuntos de interesse que a língua apresenta.

O estudo da língua Karitiana pode contribuir bastante para o conhecimento das populações indígenas no Brasil antes do contato. Luciana Storto apresentou, em co-autoria com Philip Baldi, um artigo no encontro anual da Linguistic Society of America, em janeiro de 1994, onde foi estabelecida a existência de uma mudança regular em cadeia no sistema vocálico da família Arikém a partir do Proto-Tupi. Neste trabalho foram considerados itens lexicais da língua Arikém (língua até o que se sabe extinta, também pertencente à família Arikém) obtidos em duas listas da década de 1920 e comparadas com dados originais de Karitiana conseguidos em trabalho de campo. O processo foi descrito como uma mudança histórica em cadeia no sistema de cinco vogais em movimento anti-horário, onde Proto-Tupi (PT) *a se torna Proto-Arikém (PA) *o, PT *o se torna PA *i, PT *i > PA *e, e PT *e > PA *a (a vogal *i do Proto-Tupi continuou *i em Proto-Arikém). Sawada & Storto (2004) confirmaram as mudanças apresentadas por Storto & Baldi com um grande número de cognatos de todas as famílias do tronco.

O entendimento de processos como a mudança vocálica acima descrita é fundamental para a reconstrução do Proto-Tupi, um projeto do qual Luciana Storto atualmente participa em associação com pesquisadores de várias instituições coordenados por Denny Moore, do Museu Emílio Goeldi. Este tipo de reconstrução permite acesso a uma riqueza de informações sobre a pré-história dos povos em questão (que viveram aproximadamente 4.500 anos atrás) que é única, porque revela aspectos sociais e culturais daquela população que não se poderia conhecer de outra forma. Por exemplo, através da reconstrução em PT de palavras para roça, mandioca e pau de plantar, pode-se saber que os Proto-Tupi eram agricultores.

O estudo lingüístico pode também contribuir para o conhecimento do povoamento pré-histórico do Brasil, pois são passíveis de serem identificadas em uma língua certas características cuja origem não é genética, mas resultante de contato com outros povos. O Karitiana é neste aspecto especialmente interessante, pois há evidências culturais que indicam um período de contato em que eles tiveram convívio com um povo não Tupi. Por exemplo, eles não têm como prática a produção de farinha de mandioca, que é uma característica típica Tupi. Ao invés de farinha de mandioca, processam o milho. O instrumento usado para processar o milho em mingau é um pilão horizontal e uma pedra retangular. Até algumas gerações atrás, possuíam uma prática de deformação craniana ritual através do uso de um aparato feito de madeira e algodão que, quando usado desde cedo na cabeça de crianças, produzia um achatamento da porção frontal do crânio. Este tipo de pilão e deformação craniana, ao que se sabe, não são característicos dos povos Tupi. Assim, assume-se que estes aparatos devem ter sido adquiridos via contato. É possível que este suposto contato tenha dado origem também á mudança vocálica apresentada acima, que atinge apenas a família Arikém dentre as dez famílias lingüísticas do tronco Tupi.

Alfabetização

O projeto de alfabetização em grande escala foi iniciado em 1994. A escola da aldeia, que contava com uma professora branca da Funai em 1991, e apenas um professor índio em 1992 (Nelson Karitiana), tornou-se majoritariamente indígena em 1995, quando dois professores índios foram contratados pela prefeitura e pelo estado para ministrar aulas na escola. Atualmente (maio de 2005), os professores da escola são Inácio Karitiana, João Karitiana, Luiz Karitiana, Nelson Karitiana e Marcelo Karitiana, que dão aulas na escola bilingüe da aldeia.


Em janeiro de 1996, financiado pelo projeto, Nelson Karitiana passou 20 dias em Belém a fim de conhecer o Museu Goeldi, aprender a utilizar o computador (especificamente, o editor de texto Word), e contribuir para a elaboração duma nova versão do Livro de Apoio ao Aprendizado da Ortografia. Nelson voltou para a aldeia com 80 cópias do guia, que entregou a Luiz Carlos Karitiana, que havia sido nomeado chefe da Casa da Língua pela associação.

No período entre fevereiro e dezembro de 1996, ocorreu um grande salto qualitativo e quantitativo na participação dos Karitiana no projeto de alfabetização. Liderados por Luiz Carlos Karitiana, chefe da Casa da Língua, alguns jovens trabalharam na documentação escrita da cultura, e produziram cinco textos, várias gravações, e alguns estudos de itens lexicais já extintos do vocabulário em uso na língua.

Em janeiro de 1997, Luiz Carlos Karitiana contribuiu para a organização do trabalho no dicionário, do qual participaram 15 membros da comunidade. Professores formados nos anos anteriores contribuiram para a alfabetização de 24 estudantes. Três textos (um ritual, um mito e uma narrativa histórica) foram produzidos (transcritos, digitados e traduzidos).

O projeto de alfabetização, que dispunha de financiamento apenas por quatro anos, foi concluído em 1997, tendo recebido avaliação positiva de um parecerista externo. No entanto, apesar do sucesso, não foi possível manter a continuidade do processo educativo sem uma fonte de financiamento permanente para garantir o andamento dos trabalhos.

Fonte: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/karitiana/391

Português é a terceira língua mais usada no Twitter

Posted by linguaeliberdade On março - 19 - 2010

twitterO Português é a terceira língua mais utilizada nas postagens feitas no Twitter, com 9% dos tweets, de acordo com um levantamento feito pela Semiocast. O resultado, segundo a pesquisa, se deve em grande parte ao Brasil e à popularidade das redes sociais no país.

Foram avaliados 2,8 milhões de tweets recolhidos ao longo de 48 horas, entre 8 e 10 de fevereiro de 2010. As cinco línguas mais populares somam 83% do total de postagens. O Inglês segue na liderança, com uso em metade (50%) das mensagens do microblog.

Além do Inglês e do Português, o “top 5″ tem o Japonês, em segundo, com 14%, o Malaio, quarto, com 6% e em quinto o Espanhol, com 4%.

Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/infosfera

Pesquisador e lingüista da USP recriou diálogos em Português Arcaico

Posted by linguaeliberdade On janeiro - 30 - 2010

O pesquisador e lingüista da USP, Helder Ferreira, assessorou a equipe de criação dos diálogos de Desmundo. Em especial, os roteiristas Sabina Anzuategui & Alain Fresnot, e os atores, que tinham a missão de dizer os diálogos.  Como inexistem registros sonoros diretos de qualquer enunciado (fala, diálogo, palavra) proferido  no século XVI, tempo histórico do filme, Helder buscou, inicialmente, o estabelecimento de um  conjunto fontes indiretas para reconstrução de uma língua falada (uma porque supõe-se que havia uma variedade significativamente grande de dialetos portugueses, o que ainda hoje se observa) no período quinhentista. Essas fontes são, por exemplo, os textos antigos em que seu redator cometeu um “erro” ou desviou-se do padrão ortográfico ou sintático deixando transparecer marcas de seu português falado (nos originais do XVI, lê-se drento por dentro, duda e corgo por dúvida e córrego, fideputa, ermã, ele dize, deferência por diferência, deze por dez, chea por cheia, eigerja,…).

desmundo

O pesquisador serviu-se, igualmente, de fonte dos registros do português dialetal de algumas regiões do interior do Brasil (que manteve traços de um português mais antigo por razões diversas, tais como o período em que se deu a colonização portuguesa, nível de desenvolvimento humano e sócio-econômico do lugar, grau de difusão da escola formal e de isolamento geográfico e cultural). Para o filme, foram usadas gravações feitas em Diamantina e nas regiões de Serra das Araras e Urucuia.

Por fim, baseado na consideração de que hoje alguns falantes (principalmente não alfabetizados e moradores de lugares distantes dos grandes centros) mantêm traços de um português do XVI, Helder supôs que no XVI haveria falantes que, da mesma maneira, traziam marcas de um português mais antigo, no caso, um português arcaico. Assim, foi possível também usar como fonte textos desde século XII e foram valorizadas sobretudo as construções que desviando do padrão, mostravam-se particularmente expressivas, como a dupla negação (ninhum não viu) e a indeterminação do sujeito com a partícula homem (homem não ousou lutar), ocorrências lexicais interessantes (nulha rem, nemigalha, aramá…), entre outras.

Estabelecidos esses conjunto de fontes, segundo esses critérios, o pesquisador cuidou da reelaboração das formas lingüísticas sob as quais as falas estavam apresentadas no roteiro do filme. Essas reelaborações traziam marcas morfológicas, sintáticas, lexicais e idiomáticas do português do XVI, mas apresentavam ainda as limitações que a modalidade escrita (em alfabeto romano) impõe à representação da oralidade. Preferiu-se não usar o alfabeto fonético por razões didáticas:

Tome-se, como exemplo, a Seq. 57

Branca: Quem pensas que és? Perdeste o juízo? Insultar o padre desta maneira!

– Quem coidas que és? Perdeste o bom sens/joízo? (Sandeceu? Insoitar o padre daquesta

maneira! Zote!

Francisco: Estou cuidando do que é meu / Sou pensando o que meu!

Branca: Não somos absolutos! Senhores de tudo! / Nam somos assolutos! Senhores de todo!

Francisco : A terra é grande. Vamos mais fundo pro  sertão. / A terra é abondo gram/mui gram. Hemos chus drento en no sertão.

De qualquer modo, as limitações foram superadas pela produção de um CD. Os atores receberam  todas as falas do roteiro gravadas neste suporte. A  produção  do  CD  com  as  falas  dos personagens orientou-se de acordo com um sistema fonético-fonológico reconstruído por pesquisas livrescas e de campo. Cada personagem, observadas sua condição sócio-econômica, sua faixa etária e escolaridade, teve suas falas marcadas com formas peculiares. A escolha das formas por mim propostas para as falas se deu em diversas reuniões com os roteiristas. Foi longa a preparação dos atores. E nos demos ao cuidado de acompanhar as filmagens.

O improviso é possível num filme de época? O que fazer frente a uma situação não prevista no

roteiro?  Frente a seqüências e planos criados no set, se a noção de identidade lingüística e a percepção dessa identidade pelos atores é sólida, depois de um certo tempo, os atores já estabelecem uma forma operacional de reconstruir as frases dentro de determinados parâmetros. Por outro lado o Alain me dava um tempo para interferir e eventualmente recriar algumas intervenções.

“O código lingüístico criado para o filme Desmundo pode ser definido como um conjunto aberto e inclusivo de formas ocorridas em toda a România Ocidental Ibérica (desde os primeiros registros do século XI até os documentos de arquivo público do século XVIII) , incluindo as regiões que chamaríamos de Novíssima România, ou seja, localidades onde o português (com toda a sua diversidade) e outras variantes ibéricas (igualmente diversificadas) foram línguas que se impuseram com o processo colonizador europeu (como as variantes ouvidas no interior do Brasil); de modo geral, preferiram-se as formas que desviassem do atual padrão normativo para o português escrito culto, preferiu-se o que a noção comum (e letrada) definiria como “erro” ou “impropriedade” de linguagem, mas que vem a ser um fenômeno que encontra registro histórico-documental às vezes bastante vasto”.

Lingüista inventou dialeto falado por personagens de “Avatar”

Posted by linguaeliberdade On janeiro - 26 - 2010

Em Pandora, o planeta imaginado por James Cameron para sua nova superprodução “Avatar”, as tribos nativas falam Na’Vi, um idioma elaborado a partir de inúmeras línguas, como acontece com os dialetos ficcional dos elfos de “O Senhor dos Anéis” ou dos klingons, os alienígenas bélicos da saga “Star Trek”.

O Na’Vi é uma nova linguagem composta por sons guturais e conjugações esotéricas através da qual se comunicam os seres de pele azul que habitam a exuberante e espetacular selva tropical de Pandora.

Esta linguagem foi imaginada e elaborada pelo linguista Paul Frommer, professor da Universidade da Califórnia.

Para inventar o Na’Vi, além dos dialetos elfo e klingon, o linguista se inspirou no esperanto, o idioma criado no século 19 com o objetivo de facilitar a comunicação internacional.

“Mas não parti do zero, porque o James Cameron chegou com umas trinta palavras já inventadas”, declarou Paul Frommer. “Na verdade, a palavra Na’Vi foi inventada por ele”, contou.

Avatar

O linguista explica que optou por sons produzidos com a língua ou os lábios, sem a ajuda dos pulmões, como no dialeto sul-africano Xhosa.

Frommer, que trabalhou muitos anos em sua criação, assistiu às filmagens de “Avatar” para orientar os atores na pronúncia e ajuda-los a inventar novas palavras no caso de necessidade.

“As pessoas encarregadas de fazer a dublagem do filme em diferentes idiomas têm de aprender o Na’Vi. Por isso preparei um kit de aprendizagem que será distribuído no mercado internacional”, contou Frommer.

O professor espera que seu idioma tenha tanto sucesso quanto o klingon de “Star Trek”, inventado por outro linguista da Califórnia: “se o Na’Vi tomar o mesmo caminho do idioma klingon, será fantástico”.

De fato, o klingon faz tanto sucesso entre os apreciadores da série que existem até traduções da Bíblia, de “Hamlet”, de Shakespeare, e de “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, nesse idioma ficcional. E também existe um instituto de ensino de klingon, idioma que, inclusive, permite fazer buscas no Google.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u669031.shtml

Coração de Estudante…

Posted by linguaeliberdade On janeiro - 23 - 2010

coração de estudanteResolvi postar o vídeo da música “Coração de Estudante”, interpretada por Milton Nascimento. Aliás, uma canção de 1984 que considero belíssima e, a meu ver, possui a mensagem e esperança de que um país só poderá se erguer com uma educação pública de qualidade a todos os seus cidadãos. Vamos, então, relembrar a canção…

Quero falar de uma coisa
Adivinha onde ela anda
Deve estar dentro do peito
Ou caminha pelo ar
Pode estar aqui do lado
Bem mais perto que pensamos
A folha da juventude
É o nome certo desse amor

Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Quantas vezes se escondeu
Mas renova-se a esperança
Nova aurora, cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê
Flor flor o o e fruto

Coração de estudante
Há que se cuidar da vida
Há que se cuidar do mundo
Tomar conta da amizade
Alegria e muito sonho
Espalhados no caminho
Verdes, planta e sentimento
Folhas, coração,
Juventude e fé.

A Lenda do Boto: eu juro que vi…

Posted by linguaeliberdade On dezembro - 20 - 2009

o botoPara relaxarmos um pouco nesse domingão, estou postando um pequeno curta animado sobre a “Lenda do Boto”. É uma história bastante interessante que envolve o mundo lendário da nossa cultura amazônica. Pode vir a ser um material utilizado em sala de aula pelo professor de  Língua Portuguesa, que deseja discutir diversas temáticas com os alunos,  além de refletir sobre o universo do imaginário popular e da cultura na amazônia paraense.

Origem:

A lenda do boto tem sua origem na região amazônica (Norte do Brasil). Ainda hoje é muito popular na região e faz parte do folclore amazônico e brasileiro.

O que diz a lenda:

De acordo com a lenda, um boto cor-de-rosa sai dos rios nas noites de festa junina. Com um poder especial, consegue se transformar num lindo jovem vestido com roupa social branca. Ele usa um chapéu branco para encobrir o rosto e disfarçar o nariz grande. Com seu jeito galanteador e falante, o boto aproxima-se das jovens desacompanhadas, seduzindo-as. Logo após, consegue convencer as mulheres para um passeio no fundo do rio, local onde costuma engravidá-las. Na manhã seguinte volta a se transformar no boto.

Cultura popular:

- Na cultura popular, a lenda do boto era usada para justificar a ocorrência de uma gravidez fora do casamento.

- Ainda nos dias atuais, principalmente na região amazônica, costuma-se dizer que uma criança é filha do boto, quando não se sabe quem é o pai.

No cinema:

- A lenda do boto foi transformada num filme em 1987. Com o título de Ele, o boto, o filme tem no elenco Carlos Alberto Riccelli, Cássia Kiss e Ney Latorraca. A direção é de Walter Lima Junior.

Na animação:

É um curta dirigido por Humberto Avelar e conta no elenco com a voz de Regina Casé. Foi lançado em 2004 e desde a época ganhou os prêmios de Melhor Curta – Júri Popular no Anima Mundi 2005 e Melhor Curta de Animação” no Festival de Guarnicê 2005.

Deixo, portanto, a minha sugestão para a utilização deste curta no ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa, por meio do qual o professor terá a oportunidade de desenvolver vários eixos temáticos, trabalhar a leitura  e a produção de textos.

Prof. Elias Maurício